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João Monteiro

O escultor João Monteiro e o modo brasileiro de ser


As formas escultóricas de João Monteiro tem a aparente naturalidade de um gesto feito no ar. A visualidade das esculturas faz supor que elas foram desenhadas no espaço e, por força de uma tecnologia ainda desconhecida, se tornaram contorno e desenho tridimensional. Formas nascentes. Elementos orgânicos dinâmicos e vivos.
O que é evidente é que a escultura de João Monteiro tende ao monumental. Ela tem a vocação para a arte pública, E isto se deve a harmonia das proporções internas da sua escultura. É como se o artista criasse modelos e a escala fosse a cidade. Não interessa o formato e a dimensão da escultura, estamos, na maioria das vezes, diante do monumental.
João Monteiro viveu quase três décadas no exterior, na França. E esta ausência de seu país de origem o fez preocupar-se com a identidade brasileira. E a sua reflexão sobre a possível identidade nacional o conduziu a pensar no corpo brasileiro, na formação étnica da população, nas questões culturais, na territorialidade, na anima nacional. É a procura da especificidade. Ai está o artista envolvido na reflexão da distância e em busca de si mesmo.
O escultor João Monteiro de Cunha Salgado Neto especula sobre os parâmetros que sinalizam o seu estar no mundo: “… sou da Vila Monumento, paulistano, paulista, brasileiro e de uma família antiga. Nada disto pode ser negado e isto me define.” É uma autodefinição pelo positivo e concreto. Outra opção poderia ser: “Eu não sou burocrata, eu não sou totalitário, eu não sou racista, etc., ad infinitun, e o que sobra é o que eu sou”. Ou uma autodefinição não pela identidade, mas pela identificação: “Eu sou energia, como é também energia a galáxia que habito. Eu sou parcela iluminada, como a iluminação da totalidade”.
E este tipo de raciocínio e sentimento de identidade de João Monteiro também serve de embasamento para um de seus temas na arte, o corpo brasileiro, a flexibilidade corporal do atleta, a ginga da mulata, a tradição do ser brasileiro. A partir destes pontos de vista e destas colunas vagamente antropológicas ele apresenta a sua escultura diretamente beneficiada pela Grécia clássica e, hoje, referenciada, pela obra do suíço Alberto Giacometti e a ativa memória de seu mestre brasileiro, o professor da FAU, o refinado escultor Caetano Fraccarolli. 

–  Jacob Klintowitz

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