Caciporé Torres
Historiadores, críticos, sociólogos, antropólogos, psicanalistas escrevem teorias que tal mariposas esvoaçam em torno das obras de arte, porém o pouso lhes seria letal como o da sonda espacial se aproximando do sol.
Suas sacadas, suas ideias, seus paralelos com os eventos históricos e seus obstinados anseios militantes derretem ao encostar na superfície radiante do objeto concreto.
Pois a energia da obra de arte vem do seu núcleo em fusão, no qual ideias, sentimentos e ações – sim, gestos – se fundem num magma ardente que reflete a imagem do universo.
O artista age antes de pensar. Cava um túnel que atravessa a barreira do verbo- esse grande espelho deformante – para encontrar uma visão direta do mundo em que o sim e o não coexistem.
Cava com as mãos na argila, no carvão ou com o maçarico cuspidor de fogo. Primeiro atira, depois descobre a caça que derrubou.
Esta é a aventura interior do verdadeiro artista, do homem que aprende a pensar e enxergar com as mãos e que aprendeu a ver. Do homem que contempla.
Essa é a arte de Caciporé Torres – concreta, “indiscorticável” – monolítica.
Não adianta traçar esquemas para explicá-la, lançar mão de classificações que os marchands usam para transformar tudo em mercadoria. Não adianta procurar ali um posicionamento político e nem tentar alinhá-la ao “espírito do tempo”.
Adianta olhá-la, olhá-la, olhá-la…. até vê-la.
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